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Relacionamentos positivos afetam a nossa felicidade



"seus relacionamentos só poderão ser tão saudáveis quanto você mesmo"

Em nossa atuação clínica, vemos uma crescente carência das pessoas em contatos reais e profundos com amigos, vizinhos e amores. A impressão é que o ser humano está voltado para si mesmo, como sendo dono de direito do que deseja, esquecendo literalmente que na vida também temos deveres para com outras pessoas. Muito comum, neste caso, a sensação de solidão, tristeza, aumento da ansiedade e até depressão (Wintch, 2014).

Então o que podemos e devemos promover em nossas atitudes para que consigamos estabelecer relações saudáveis? O que a psicologia positiva nos aponta em suas pesquisas? Nos próximos parágrafos iremos contribuir com informações científicas a cerca das relações humanas positivas e o que você poderá fazer para finalmente manter uma relação de amor com outras pessoas. Para uma relação desequilibrada podemos destacar dois extremos, de um lado existe pessoas mais egoístas, que numa relação estão confortáveis em apenas receber, no outro extremo, pessoas mais dependentes emocionalmente, ou seja, aqueles que vivem se doando de maneira exageradamente generosa, em ambos os casos, uma relação calcada nesses pontos tende a não dar certo. Vamos abordar o centro da questão, o que pode gerar um bom relacionamento de forma positiva.

Segundo Marting Seligman (2004), considerado o pai da psicologia positiva, "as relações servem como verdadeiro antídoto para momentos ruins e a fórmula mais confiável para os momentos bons".

Cada relacionamento é uma oportunidade de aprender sobre nós mesmos, nossa ambivalência e autenticidade.

Para estabelecer relações positivas é necessário respeito e gentileza mútuos. Barbara Fredrickson em seu livro Amor 2.0, diz que o amor surge nas relações quando duas ou mais pessoas se conectam por meio de emoções positivas compartilhadas. É literalmente uma escolha em estar atento e presente cultivando com maior freqüência suas ideias, buscando aquele abraço carinhoso, vislumbrando alguma imagem ou música inspiradora. A autora em sua vasta pesquisa sobre amor e relações humanas afirma que existe a necessidade de manter uma ressonância de positividade (Fredrickson, 2015). Estar nessa ressonância quer dizer se conectar de verdade, sem sentir medo ou insegurança, se permitir estabelecer um tempo para o outro. A relação positiva envolve confiança, aceitação, comunicação, afeto genuíno e compromisso. Precisamos aprender a reconhecer que o outro é um ser independente, com suas necessidades, escolhas e valores próprios e que as relações podem ser a oportunidade para se desenvolver. Para identificar se você está vivendo uma relação positiva, basta refletir se ela proporciona crescimento para ambos os envolvidos. Fredrickson (2015), como forma de exercício sugere: ao final de cada dia identifique quais foram as três relações mais longas que você manteve e se pergunte o quanto se sentiu realmente "conectado" e "sintonizado" com a pessoa com quem passou seu tempo. Avalie se foi possível compartilhar pensamentos e sentimentos com entusiasmo, respeito e benevolência. Pode ser com qualquer pessoa, tanto no trabalho, em casa ou alguém que tenha conhecido recentemente. O principal intuito é que você desenvolva a ressonância positiva como algo revigorante, energizante e potencializador de sua felicidade. Você também poderá adotar o lema "seja positivo" para vivenciar maior freqüências de emoções positivas, que facilitarão sua conexão para as relações saudáveis e equilibradas. Dessa maneira, deve contemplar pensamentos e desejos positivos ficando aberto a certos sentimentos que possam surgir, deixando fértil seu terreno para plantar boas relações. Você pode inclusive imaginar em sua mente, quando for encontrar com alguém, o que desejaria para essa pessoa e quando a encontrar perceber como foi. Esses exercícios simples são poderosos e foram comprovados em inúmeras observações de grupos sociais pela equipe de pesquisa de Barbara fredrickson, incansável estudiosa da psicologia positiva.

Estudos segundo Schlosser (2019), mostram que as relações são fundamentais para sentir satisfação e bem-estar elevando nossa felicidade e qualidade de vida. Seligman (2004) também aponta que ao estudar sobre as forças e virtudes dos parceiros essas contribuem para o sucesso das relações. Caso você tenha interesse em realizar o teste das forças de caráter, o link é www.viame.org, lá é possível colocar para a língua portuguesa e você receberá sua avaliação em seu email.

Abaixo algumas dicas de como você pode melhorar suas relações, deixando-as cada vez mais positivas:

  • comece por você, para florescer em um relacionamento positivo é necessário que esteja de bem consigo mesmo;
  • elogie as pessoas em público, quando você promove o melhor dos outros, estes retribuem através de uma relação mais recíproca;
  • seja aberto e flexível, você estabelece conexão saudável quando não julga e procura compreender a outra pessoa gerando maior confiança mútua;
  • demonstre interesse de maneira autêntica, esteja realmente presente para promover a ressonância positiva, doe seu tempo a essa relação;
  • compartilhe experiências, desejos, sentimentos, ao falar de si você estará se conectando de verdade.

 

Enfim, podemos dizer que através dos estudos da psicologia positiva no que tange as relações, quando estabelecemos conexões reais, presente e genuínas percebemos aumento em nossa satisfação, bem-estar e felicidade.

Referência Bibliográfica

Fredrickson, Barbara L. Amor 2.0; tradução Marcelo Yamashita Salles- 1 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2015.
Seligman, M. E. P. (2004). Aprenda optimismo. Barcelona: DeBolsillo.
SCHLOSSER, Adriano. Interface entre saúde mental e relacionamento amoroso: um olhar a partir da psicologia positiva. Pensando fam., Porto Alegre , v. 18, n. 2, p. 17-33, dez. 2014 .
Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttex t&pid=S1679-494X2014000200003&lng=pt&nrm=iso. acessos em 04 mar. 2019.
Wincht, Guy. Como curar suas feridas emocionais; tradução Ivo Korytonti; Rio de Janeiro, Sextante, 2014.